As manifestações de rua em junho de 2013

  • Angélica Lyra de Araújo Universidade Estadual Paulista
Palavras-chave: Manifestação de Junho, Juventude, Política.

Resumo

A intenção desse estudo é refletir historicamente sobre como transcorreram as manifestações de junho de 2013, no âmbito nacional. Tratamos como os analistas interpretaram essas ondas de protestos e levantamos algumas hipóteses que serão desenvolvidas ao longo do texto. Como primeira hipótese desenvolvemos a ideia de que os acontecimentos de junho foram uma explosão de indignação contra o governo em geral; contra o sistema político, os atores políticos, os procedimentos e própria cultura política. Isso nos leva a indagar: Será que todos esses descontentamentos se formaram em razão dos procedimentos políticos dos governantes e lideranças políticas e/ou se inscrevem numa cultura política negadora de qualquer percepção positiva da vida política? A segunda hipótese nos leva a refletir no intuito de perceber que o movimento baseou-se em demandas sociais não contempladas pelo governo. Neste caso, questionamos o distanciamento das políticas públicas das necessidades dos brasileiros. Por que o governo não enxerga a situação precária em que se encontram os brasileiros? O que há por detrás da aclamação ecoada pelos direitos sociais expressos nas ruas?A terceira possibilidade é ver que os jovens, num clima eufórico, participaram do movimento como festa, como um happening, num espírito revolucionário, característica peculiar deles. Mas, será os jovens tendem a ser realmente rebeldes? Como quarta e última hipótese pensamos nas redes sociais, sobretudo, no papel político que tiveram o uso do twitter e do facebook, que em tempo real transmitiram protestos, como uma ferramenta de comunicação e de reivindicação sociais, inaugurando um espaço público de debates.  Será que os espaços das redes sociais podem conduzir à vivência de valores democráticos e de participação política? Assim sendo, as manifestações são formas de socialização, utilizadas como meio de interação e de articulação entre a juventude, com total autonomia, independentemente dos interesses dos partidos políticos, de estado, pois foi nesse espaço que os jovens convocaram e motivaram as pessoas para que participassem dos protestos, na busca pela justiça social. Este contexto permite-nos pensar em algumas questões: Será que as redes sociais configuram uma nova cultura de participação política? Qual o papel social que as redes digitais tiveram nas manifestações? Por que as demandas discutidas no mundo virtual foram transferidas para as ruas? Os protestos amplamente amparados nas mídias puderam contribuir para uma politização dos cidadãos ou configuram apenas mais um espetáculo midiático? As respostas dessas questões assinalam que a juventude está buscando outros canais de participações, a fim de serem compreendidos não na singularidade, mas sim na pluralidade de jovens inseridos num contexto de um sistema político que carece de uma reforma capaz de efetivamente atender as demandas de todas as faixas etárias.

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Biografia do Autor

Angélica Lyra de Araújo, Universidade Estadual Paulista
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação na UNESP/FLCAR; Colaboradora do LENPES (Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de Sociologia/UEL), do projeto de pesquisa “Juventudes no Ensino Médio: um estudo sociológico em escolas públicas da região de Londrina”; Bolsista do CNPq
Publicado
2016-07-26
Como Citar
Araújo, A. (2016). As manifestações de rua em junho de 2013. Cadernos CERU, 27(1), 36-50. Recuperado de http://www.periodicos.usp.br/ceru/article/view/117710
Seção
Dossiê Amazônia