Delirium numa enfermaria de Medicina Interna - impacto na prática clínica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i4p357-365

Palavras-chave:

Delírio, Medicina interna, Idoso, Mortalidade

Resumo

Introdução: O delirium é frequente nos doentes idosos internados. Define-se como uma alteração aguda e flutuante ao nível da cognição, atenção e consciência, geralmente reversível e de etiologia multifactorial, com aumento da morbimortalidade e dos custos, mas que permanece sub-diagnosticada. Neste sentido, avaliou-se a ocorrência de delirium numa enfermaria de Medicina Interna, os principais factores de risco e o impacto no episódio de internamento e após 3 meses. Materiais e Métodos: estudo prospectivo observacional de 3 meses num serviço de um hospital terciário, com aplicação da escala de sedação e agitação de Richmond adaptada e do Método de Avaliação da Confusão para o rastreio e diagnóstico de delirium, confirmadas pelos critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5ª edição. Avaliaram-se os principais factores de risco, segundo as guidelines, e o impacto no internamento e sobrevida aos 3 meses. Resultados/Discussão: Numa amostra de 297 doentes, a ocorrência de delirium foi de 26%, na sua maioria à admissão (73%) e na forma hiperactiva (50%). Estes doentes eram mais idosos, com mais comorbilidades, nomeadamente demência, e menos autonomia. Identificou-se a contenção física, a limitação da autonomia e as alterações do potássio como factores independentes para a ocorrência de delirium. Este associou-se a maior mortalidade no internamento e aos 3 meses, com maior sobrecarga dos profissionais de saúde. A aplicação das escalas permitiu um maior reconhecimento desta patologia (12% para 26%), nomeadamente as formas hipoactivas. Conclusão: O delirium foi frequente e com elevado impacto nos doentes e profissionais de saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Filipa Quaresma, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central

Assistente Hospitalar de Medicina Interna. Unidade Funcional Medicina 1.2 – H. São José, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa (CHULC), Portugal.

Amélia Maria Lérias Duarte, Serviço de Psiquiatria de Ligação – Hospital São José

Assistente Hospitalar Graduado de Psiquiatria. Serviço de Psiquiatria de Ligação – H. São José, CHULC, Portugal.

Paulo Sérgio Saraiva Reis-Pina, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Mestre. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Portugal.

Isabel Maria Mousinho de Almeida Galriça Neto, Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos, Hospital da Luz

Mestre. Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos, Hospital da Luz, Lisboa, Portugal.

Júlio Almeida, Unidade Funcional Medicina 1.2, Hospital São José

Assistente Hospitalar Graduado Sénior, Director de Serviço. Unidade Funcional Medicina 1.2 – H. São José, CHULC, Portugal.

Referências

Organization for Economic Co-operation and Development. Health at a Glance 2017: OECD Indicators. Paris: OECD Publishing; 2017. https://doi.org/10.1787/health_glance-2017-en.

Lisboa. Instituto Nacional de Estatística. Estatísticas demográficas 2016. Lisboa: INE, IP; 2017.

World Health Organization. Preventing chronic diseases: a vital investment. WHO global report. Geneva: WHO; 2005 [cited April 2018]. Available from: http://www.who.int/chp/chronic_disease_report/en/.

Inouye S, Westendorp R, Saczynski J. Delirium in elderly people. Lancet. 2014;383(9920):911-22. doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(13)60688-1.

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2013. https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425596.

Maldonado JR. Acute brain failure: pathophysiology, diagnosis, management, and sequelae of delirium. Crit Care Clin. 2017;33(3):461-519. doi: https://doi.org/10.1016/j.ccc.2017.03.013.

Jacqmin-Gadda H, Alperovitch A, Montlahuc C, et al. 20-Year prevalence projections for dementia and impact of preventive policy about risk factors. Eur J Epidemiol 2013;28:493-502. doi: https://doi.org/10.1007/s10654-013-9818-7.

Alvarez-Perez F, Paiva F. Prevalence and risk factors for delirium in acute stroke patients. A retrospective 5-years clinical series. J Stroke Cerebrovasc Dis. 2017;26(3):567-73. doi: https://doi.org/10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2016.11.120.

Martins S, Paiva J, Simões M, Fernandes L. Delirium in elderly patients: association with educational attainment. Acta Neuropsychiatr. 2017;29(2):95-101. doi: https://doi.org/10.1017/neu.2016.40.

Mariz J, Santos N, Afonso H, Rodrigues P, Faria A, Sousa N, et al. Risk and clinical-outcome indicators of delirium in an Emergency Department Intermediate Care Unit (EDIMCU): an observational prospective study. BMC Emerg Med. 2013;13:2. https://doi.org/10.1186/1471-227X-13-2.

Goncalves F, Almeida A, Antunes L, Teixeira S, Pereira S, Edra N. Variation in the incidence of agitated delirium during the day in a palliative care unit: a preliminary report. Am J Hosp Palliat Care. 2013;30(2):111-3. https://doi.org/10.1177/1049909112444302.

Cerejeira J, Batista P, Nogueira V, Firmino H, Vaz-Serra A, Mukaetova-Ladinska E. Low preoperative plasma cholinesterase activity as a risk marker of postoperative delirium in elderly patients. Age Ageing. 2011;40:621-6. doi: https://doi.org/10.3389/fphar.2014.00075.

Abelha FJ, Botelho M, Fernandes V, Santos A, Dias I, Barros H. Evaluation of delirium in postoperative patients. Arq Med. 2010;24(4):121-8. doi: https://doi.org/10.1016/j.bjane.2012.09.003.

Caeiro L, Ferro J, Albuquerque R, Figueira M. Delirium in the first days of acute stroke. J Neurol. 2004;251(2):171-8. https://doi.org/10.1007/s00415-004-0294-6.

Chester JG, Beth Harrington M, Rudolph JL; VA Delirium Working Group. Serial administration of a modified Richmond Agitation and Sedation Scale for delirium screening. J Hosp Med. 2012;7(5):450-3. doi: https://doi.org/10.1002/jhm.1003.

Nassar Junior AP, Pires Neto RC, de Figueiredo WB, Park M. Validity, reliability and applicability of Portuguese versions of sedation-agitation scales among critically ill patients. Sao Paulo Med J. 2008;126(4):215-9. https://doi.org/10.1590/S1516-31802008000400003.

Sampaio F, Sequeira C. Confusion Assessment Method: tradução e validação para a População Portuguesa dissertação]. Porto: Universidade do Porto; 2012. http://dx.doi.org/10.12707/RIII12127.

Charlson M, Szatrowski TP, Peterson J, Gold J. Validation of a combined comorbidity index. J Clin Epidemiol. 1994;47:1245-51. doi: https://doi.org/10.1016/0895-4356(94)90129-5.

Oken M, Creech R, Tormey D, et al. Toxicity and response criteria of the Eastern Cooperative Oncology Group. Am J Clin Oncol. 1982;5:649-55.

Mahoney FI, Barthel DW. Functional evaluation: the Barthel index. Maryland State Med J. 1965;14:61-5.

Lawlor PG, Gagnon B, Mancini IL, et al.: Occurrence, causes, and outcome of delirium in patients with advanced cancer: a prospective study. Arch Intern Med. 2000;160:786-94. doi: https://doi.org/10.1001/archinte.160.6.786.

Inouye SK, Charpentier PA. Precipitating factors for delirium in hospitalized elderly persons. Predictive model and interrelationship with baseline vulnerability. JAMA. 1996;275(11):852-7. doi: https://doi.org/10.1001/jama.1996.03530350034031.

Frazier SC. Health outcomes and polypharmacy in elderly individuals: an integrated literature review. Gerontol Nurs. 2005;31(9):4-11. doi: https://doi.org/10.3928/0098-9134-20050901-04.

Inouye SK, Foreman MD, Mion LC, Katz KH, Cooney LMJr. Nurses’ recognition of delirium and its symptoms: comparison of nurse and researcher ratings. Arch Intern Med. 2001;161(20):2467-73. doi: https://doi.org/10.1001/archinte.161.20.2467.

Clegg A, Westby M, Young JB. Under-reporting of delirium in the NHS. Age Ageing 2011;40:283-6. doi: https://doi.org/10.1093/ageing/afq157.

Siddiqi N, House AO, Holmes JD. Occurrence and outcome of delirium in medical in-patients: a systematic literature review. Age Ageing. 2006;35(4):350-64. https://doi.org/10.1093/ageing/afl005.

Pendlebury ST, Lovett NG, Smith SC, Dutta N, Bendon C, Lloyd-Lavery A, et al. Observational, longitudinal study of delirium in consecutive unselected acute medical admissions: age-specific rates and associated factors, mortality and re-admission. BMJ Open. 2015;5(11):e007808-e007808. doi: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2015-007808.

National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE). National Clinical Guideline Centre. Delirium: diagnosis, prevention and management. Lonon; 2010 [cited April 2018]. Available from: https://www.nice.org.uk/nicemedia/live/13060/49908/49908.pdf.

Meagher D. Motor subtypes of delirium: past, present and future. Int Rev Psychiatry. 2009;21:59-73. doi: https://doi.org/10.1080/09540260802675460.

Kim SY, Kim SW, Kim JM, et al. Differential associations between delirium and mortality according to delirium subtype and age: a prospective cohort study. Psychosom Med. 2015;77(8):903-10. doi: https://doi.org/10.1097/PSY.0000000000000239.

Inouye SK. Delirium in older persons. N Engl J Med. 2006;354(11):1157-65. doi: https://doi.org/10.1056/NEJMra052321.

Direcção Geral de Saúde. Orientação n° 021/2011: Prevenção de comportamentos dos doentes que põem em causa a sua segurança ou da sua envolvente. Lisboa: DGS; 2011.

Tolson D, Morley JE. Physical restraints: abusive and harmful. JAMDA. 2012;13:311-3. doi: https://doi.org/10.1016/j.jamda.2012.02.004.

Clegg A, Young JB. Which medications to avoid in people at risk of delirium: a systematic review. Age Ageing. 2011;40(1):23-9. doi: https://doi.org/10.1093/ageing/afq140.

Maldonado JR. Neuropathogenesis of delirium: review of current etiologic theories and common pathways. Am J Geriatr Psychiatry. 2013;21:1190-222. doi: https://doi.org/10.1016/j.jagp.2013.09.005.

Siddiqi N, Harrison JK, Clegg A, et al. Interventions for preventing delirium in hospitalised non-ICU patients. Cochrane Database Syst Rev. 2016;3:CD005563. doi: https://doi.org/10.1002/14651858.CD005563.pub3.

Sampson EL, Blanchard MR, Jones L, et al. Dementia in the acute hospital: prospective cohort study of prevalence and mortality. Br J Psychiatry. 2009;195:61-6. doi: https://doi.org/10.1192/bjp.bp.108.055335.

Downloads

Publicado

2020-08-28

Como Citar

Quaresma, F., Duarte, A. M. L., Reis-Pina, P. S. S., Galriça Neto, I. M. M. de A., & Almeida, J. (2020). Delirium numa enfermaria de Medicina Interna - impacto na prática clínica. Revista De Medicina, 99(4), 357-365. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i4p357-365

Edição

Seção

Artigos/Articles