A música cantada indígena e o universo composicional de Heitor Villa-Lobos

  • Marcos Júlio Sergl Universidade Santo Amaro
Palavras-chave: Heitor Villa-Lobos, Música indígena, Música brasileira, Paisagem sonora

Resumo

Este estudo trata do respeito do aproveitamento de melodias, ritmos, efeitos sonoros, da fonética e da ambiência indígena, por Heitor Villa-Lobos, a partir dos conceitos de Murray Schafer de paisagem sonora (1991; 2001) e de performance, de Paul Zumthor (2005), no universo composicional de Villa-Lobos. Para tanto, utilizamos como metodologia a análise comparativa de partituras e a audição de obras icônicas desse contexto, como a Floresta do Amazonas, Choros nº 3, Mandú-Çarará, Canide Ioune-Sabath e Sinfonia nº 10. Paralelamente, valemo-nos de pesquisas dedicadas a Villa-Lobos em relação à temática indígena, com o objetivo de definir quais são os elementos sonoro-vocais e as técnicas de emissão onomatopaicas utilizadas pelo compositor para recriar a ambiência do universo musical indígena dentro de suas propostas de paisagem sonora implícita nesse universo. Concluímos que a obra musical de Villa-Lobos com temática indígena apresenta uma paisagem sonora específica brasileira, uma referência mundial.

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Biografia do Autor

Marcos Júlio Sergl, Universidade Santo Amaro

Pós-Doutor em Comunicações e Doutor e Mestre em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo/USP. Professor titular no Programa de Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Santo Amaro. Participante do Grupo de Pesquisa Arte, Cultura e Imaginário da Universidade Santo Amaro e do Grupo de Pesquisa em Música e Mídia – Musimid da Universidade Paulista. Autor de dezenas de artigos publicados em anais de congressos e revistas científicas e vários livros na área de Comunicação, com destaque para Voz e Roteiros Radiofônicos, publicado pela Editora Paulus em 2015.

 

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Publicado
2019-12-19
Como Citar
Sergl, M. (2019). A música cantada indígena e o universo composicional de Heitor Villa-Lobos. Revista Música, 19(2), 160-185. https://doi.org/10.11606/rm.v19i2.163511