Tradução de quadrinhos: uma reflexão sobre a identidade cultural pelo viés do estereótipo do judeu na linguagem dos quadrinhos

Autores

  • Gisele Marion Rosa

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.v27i0p217-246

Palavras-chave:

Estereótipo do judeu, identidade cultural, história em quadrinhos, Estudos da Tradução.

Resumo

Em uma narrativa como a história em quadrinhos, em que se encontra uma relação de interdependência entre texto e imagem na construção do significado, parece-nos mais provável que as estratégias recorrentes de tradução recaiam na literalidade (Vinay & Dalbernet 1995), pois o texto verbal, em princípio, não poderia contradizer a ilustração que o acompanha, mas sim manter a relação estabelecida entre os dois códigos encontrada no original. Além disso, consideramos um aspecto central da formação do gênero Quadrinhos o caráter de inovação em relação às normas vigentes da linguagem verbal e não verbal, do ponto de vista da sua criação artística, onde temos “uma hibridização bem-sucedida de ilustração e prosa” (Eisner 2010). Desse modo, a linguagem inovadora e potencialmente plástica desse gênero, devido à liberdade de criação, propicia um espaço ideal para tratar de temas sensíveis e que instigam o debate e reformulação de conceitos enraizados numa dada cultura. Isto posto, propomos apresentar brevemente os dados de nossa investigação sobre como se dá o tratamento do estereótipo do judeu para o estudo da identidade cultural em um estudo de caso, a tradução de A História dos Judeus, de Stan Mack. Defendemos que a fruição de um objeto cultural na linguagem dos quadrinhos, quando traduzido e atravessando fronteiras, resulta numa comunicação intercultural que promove o diálogo, a evolução de pensamentos, conceitos e modos de ver o mundo pelo contato com o Outro numa velocidade maior do que aquela encontrada na leitura de livros em prosa. Procuramos identificar, assim, se a tradução apresentou uma tendência ao esvaziamento do estereótipo ou sua legitimação na construção do sentido. Ou em outras palavras, investigar se houve nas traduções uma revisão do estereótipo apresentado nas obras originais. Para tanto, foi feito o levantamento dos itens lexicais e elementos da ilustração que se referem ao universo da cultura judaica e analisamos o modo como eles são trazidos para as traduções. 

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Biografia do Autor

Gisele Marion Rosa

Mestre em Semiótica e Linguística Geral - FFLCH/USP - 2011. Tradutora. São Paulo,  Brasil. Principais publicações: “As relações entre estereotipagem e ethos discursivo: uma proposta de reformulação do estereótipo na tradução de Fagin, o judeu de Will Eisner” (2014), “Tecendo desejos: o fazer e o desfazer do desenho da vida em A moça tecelã de Marina Colasanti” (2013) e “The social impact of legitimization or rupture of stereotypes in translated graphic novels as a new genre of literature” (2013). 

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Publicado

2016-10-04

Como Citar

Rosa, G. M. (2016). Tradução de quadrinhos: uma reflexão sobre a identidade cultural pelo viés do estereótipo do judeu na linguagem dos quadrinhos. Tradterm, 27, 217-246. https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.v27i0p217-246