Chupim y Chopin, afeminados y enfermos

música y género en la primera mitad del siglo veinte en Brasil

Resumo

A argumentação deste artigo está estruturada da seguinte forma: o reconhecimento de alguns artistas percebidos como efeminados e de outros como homossexuais coexistiu com a reprodução de preconceitos no discurso médico e literário. E as mulheres são maioria numérica nas instituições de educação musical e, paralelamente, o discurso médico e literário reproduz a crença na inferioridade feminina. A partir do texto de uma conferência sobre Chopin, analiso três tópicos do médico e escritor Aloysio de Castro, contrastando com as idéias de quatro especialistas em homossexualidade e algumas do musicólogo Mário de Andrade. As fontes primárias são da primeira metade do século XX, e minhas apreciações têm referências na minha revisão da literatura sobre racismo, gênero e música.

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Biografia do Autor

Jorge Israel Ortiz Vergara

Jorge Vergara possui doutorado em Musicologia pela UNIRIO (2018). Em sua pesquisa de doutorado descobriu documentos desconhecidos dos especialistas em Mário de Andrade. Entre março e setembro de 1923 a campanha de higiene moral e estética do jornal paulista Folha da Noite produziu textos homofóbicos, misóginos e racistas para criticar o movimento modernista de São Paulo. A campanha ataca muitos autores, mas os insultos mais agressivos focam na pessoa e na obra de Mário de Andrade. A análise desses documentos permite o debate de questões musicais, estéticas, intelectuais e políticas.

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Publicado
2019-12-19
Como Citar
Vergara, J. I. (2019). Chupim y Chopin, afeminados y enfermos. Revista Música, 19(2), 86-115. https://doi.org/10.11606/rm.v19i2.163874